Júri Popular dá prêmio em Berlim para o filme “O Processo”

O Festival Internacional de Berlim já anunciou os prêmios da Berlinale 2018, na noite deste sábado (25).  O documentário de Maria Augusta Ramos, “O Processo” ficou entre os três melhores documentários e foi laureado com o Prêmio de Público, na Mostra Panorama.

Na noite de estréia, o filme que apresenta a construção do processo de impeachment de Dilma Rousseff, foi ovacionado por cinco longos minutos,  aos gritos de “Volta Dilma!”, o que já indicava seu favoritismo na escolha do público. Mais cedo, na Potsdamer Platz, protestos pediam a anulação do impeachment, denunciando a ruptura democrática no Brasil com perseguições midiáticas-políticas-jurídicas.

Com sessões lotadas, para todos os dias de exibição, o documentário que narra os acontecimentos no Brasil que levaram ao impeachment de Dilma Rousseff, chamava a atenção não apenas de um público interessado em cinema, mas de uma plateia ávida por justiça e reparação. A contemplação com aquela oportuna denúncia internacional do golpe que está devastando um país, chegou em formato de preferência do público.

“Quando a gente escolhe um tema pra investigar e fazer um filme, existe um desejo de dividir esse mergulho com o público. E depois, quando o filme fica pronto e recebe um prêmio do júri popular, eu arrisco dizer que talvez seja uma das maiores realizações como diretora. E é muito relevante também pelo filme ser sobre um episódio histórico do Brasil e estar sendo compreendido por audiências de outras latitudes”, disse a diretora ao UOL.

A Mostra Panorama exibiu 20 documentários na categoria Docs (não-ficção).  Tanto a Panorama Ficção, como a Panorama Docs premiam os três primeiros lugares. O documentário brasileiro “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, ficou com o 3º prêmio da noite. Em primeiro lugar, o público escolheu o documentário espanhol “The Silence of Others” que aborda a Lei de Anistia, adotada pelo parlamento espanhol em 1977, silenciando vítimas e protegendo criminosos da ditadura de Francisco Franco. 

Diferentes culturas no mundo podem se reconhecer na injustiça que é igual para todos. Na omissão da justiça, da informação e da política, a  7ª arte cumpre um papel importante – documento, comunicação e conscientização de massas. Serve também, como denúncia, dando ao espectador a oportunidade de decidir, construir, história diferente pro mundo.

É do público o poder de escolher o destino para o futuro de uma sociedade mais justa e humana, seja por voto, seja por luta.

A ferida do impeachment de Dilma Rousseff precisa ser curada.  É o que o Brasil precisa. Foi o que o público em Berlim, decidiu.

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