“O PROCESSO” – O PODER DO CINEMA NA RECONSTRUÇÃO DAS MASSAS

 

A estreia do documentário “O Processo”, de Maria Augusta Ramos, no Festival Internacional de Berlim, no último dia 21, foi marcada por protestos pela anulação do impeachment de Dilma Rousseff e em defesa de Lula, na Potsdamer Platz, a poucos metros da sala de exibição do filme.

Militantes e membros do Comitê Internacional pela Anulação do Impeachment – Paris, do Comitê Internacional pela Democracia no Brasil – Zurique e do Comitê de Luta Contra o Golpe Volta Redonda/RJ, foram bem recebidos pelos berlinenses e estrangeiros curiosos com o ato e interessados em saber mais sobre a crise institucional que abala o Brasil.

Nossa militância conversou com ativistas brasileiros residentes na Europa e em Berlim e constatou que pouco se sabe que há um recurso no STF aguardando julgamento e justo veredito pela anulação do impeachment de Dilma Rousseff. Houve coleta de assinaturas da nossa Ação Popular, comprovando o grande prestígio de Dilma Rousseff no exterior e a indignação de todos por um impeachment sem crime e por um país que retrocede em conquistas e direitos, a cada dia do golpe.

Acostumada a produzir protestos com patos e outras caricaturas, a imprensa brasileira que acompanhava a estreia do filme na Berlinale 2018, questionou a diretora sobre os protestos na Potsdamer Platz.

“As pessoas têm direito de expressar a sua preocupação em relação ao que está acontecendo, mas eu não fui ao protesto e ele também não foi organizado por mim. Eu não sou ativista, eu sou diretora de cinema”, disse Maria Augusta à DW.

A crise institucional no Brasil, a justiça e a mídia como instrumentos de perseguição política para a implantação, sem voto, de políticas neoliberais no Brasil e em outras partes do mundo, é tema que vem preocupando a comunidade internacional. A perseguição implacável a Luiz Inácio Lula da Silva, o impedimento de uma Presidenta, sem crime de responsabilidade, são faces de uma mesma moeda, fases de um mesmo golpe de Estado que agora avança com o recrudescimento da força das armas do estado.

Durante o ato organizado por ativistas e pelos membros dos nossos comitês, a leitura do Manifesto “O mesmo lawfare que impede Dilma de cumprir seu mandato, impede Lula de ser candidato”,  denuncia ao mundo:

Em 31 de agosto de 2016, o Brasil sofreu seu mais duro golpe, desde que a Constituição Federal foi aprovada e promulgada para findar um ciclo de 21 anos de Ditadura.

O poder que emana do povo, exercido, diretamente, pela Presidenta Dilma Rousseff, reeleita, em 2014, por mais de 54 milhões e meio de votos, foi declarado como suspenso, pelo Parlamento que acatou a decisão, mesmo sem nenhum crime de responsabilidade, cometido pela Chefe de Estado.”

(…)

“Se hoje estamos juntos aqui à ocasião da exibição do filme “O Processo”, que documenta a destituição inconstitucional da Presidenta Dilma, é para afirmar novamente que nos recusamos a aceitar o Estado de Exceção no Brasil. Que não compactuamos com o arbítrio, com a má-fé das instituições, nem com o abuso de poder que avança contra os direitos de todos os cidadãos brasileiros.”

(Leia o Manifesto na íntegra no www.mobai.ch/blog)

Mais tarde, na exibição de estreia do documentário que retrata a construção do golpe de 2016, ingressos esgotados para os quatro dias de exibição do longa. Ovacionado pelo público por longos 5 minutos, intercalados com gritos na plateia de “Bravo!” e “Volta Dilma”, foi esta a avaliação do crítico de cinema, Filippo Pitanga na noite de estreia: “O documentário ‘O Processo’ de Maria Augusta Ramos é uma arma de reconstrução em massa!”.

A consagração do longa “O Processo” que escancara o golpe ao mundo, veio com o prêmio júri popular, no último sábado (24). Escolhido como o 3º melhor documentário da Mostra Panorama, do 68º Berlinale, no quesito voto popular, o filme agora é esperado com grande expectativa pelo público brasileiro, ainda sem previsão de estreia no país.

Maria Augusta diz que não sabe “como esse filme será recebido no Brasil”, mas espera “que ele sirva para que as pessoas reflitam sobre os acontecimentos, reavaliem posições e ajam de forma menos irracional e raivosa em relação à política”.

Esperamos que a estreia de “O Processo” no Brasil, traga consciência e maior mobilização da esquerda contra a justiça-teatro, pressionando o STF a anular o processo-farsa do impeachment. Nossos comitês no Brasil já se organizam para grandes atos que garantam o sucesso do filme como instrumento de retomada da consciência das massas, do valor das instituições a serviço do povo e o resgate triunfal da democracia no Brasil, com a volta da Presidenta eleita.

 

Fonte: BOLETIM NACIONAL DOS COMITÊS – ANO 01 – NUM 06 – 26 FEVEREIRO 2018

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